quinta-feira, 23 de maio de 2013

Adultos Brincam?


Eu tenho muita dificuldade em brincar com meus filhos.
E penso nisso o tempo todo.
Me questiono muito, além de sofrer uma certa pressão social por conta do meu trabalho.

Ah sim, conto muitas histórias pra eles, invento, reinvento, mas brincar, suar com eles, tenho lá as minhas dificuldades. Meu repertório de brincadeiras é limitado. E muitas vezes estão só no plano mental. Teoria demais.
Gosto de ver brincar.

Sendo ativista do brincar e artesã de brinquedos essa questão pra mim é uma grande questão. E talvez por isso eu faça brinquedos e incentive tanto o brincar. Porque não ha outro lugar onde se brinca senão na infância. Porque para florir um adulto luminoso precisamos brincar.
Eu vivi anos acinzentados.

Tive uma infância árida, e neste deserto ví muitos cactos florirem. Por sorte!
Meu pai era homem bruto, não me dava brinquedos, porque eu os estragava e ele só jogava dinheiro fora. Ganhava sempre coisas práticas. Sapatos, mochilas e no máximo um ou outro disquinho da moda.
Minha mãe, me ensinava como arrumar bem a cama, e colocar tudo no lugar. Sem contar um histórico terrível de violência, já falei disso aqui.

Um dia um mascate bateu à porta pra vender livros. Era uma dessas coleções gigantes tipo Barsa e meu pai comprou, de brinde veio um livro muito bem ilustrado e recheadíssimo do Walt Disney. Este livro salvou minha infância. Eu não via a hora de voltar da escola pra ler e reler e reler cada história. As vezes encenava com riquezas de detalhes. Essa vivência sem dúvidas foi um grande laboratório para eu me tornar atriz e contadora de histórias.

Em casa eu não podia brincar, pra não bagunçar e nem sujar. Na escola eu não conseguia me enturmar. Eu era uma criança falante e imaginativa demais. Então eu passava os dias em topos de arvores olhando o céu, as folhas e frutos, ou fazendo castelos para as formigas, ou caminhando pelas ruas chutando pedrinhas.

Cresci e fui fazer teatro, e no fazer cênico resgatei aos poucos minha infância.

Quando me tornei mãe, cerca de 5 anos atras, me vi nesse dilema. Devo ou não brincar com meu filho? Nessa mesma época passei a fazer brinquedos e pouco antes eu já contava histórias.
O contato constante com crianças me mostrou um mundo rico, que tenho a sensação nunca ter me separado dele. Acho que em verdade não cresci! Mas os documentos de identificação não negam, nasci em 75 e portanto tenho quase 40 anos. Por sorte nasci sob o signo de Gêmeos, o signo saci, meio Peter meio Pan...

Creio sinceramente que mesmo sem ter vivenciado uma infância rica em brincar popular, eu inventei um brincar. O contato com a natureza enriqueceu meu mundo de fantasia e me deu suporte para passar pelo que passei e ainda assim continuar até hoje me encantando com a vida como se fosse sempre a primeira vez.

Claro, me falta repertório, mas me sobra imaginação. Estou aprendendo aos poucos a brincar, só peço aos meus filhos paciência com essa mãe aqui... creio que eles tem.

Segundo Nina Veiga, uma amiga querida e fonte de inspiração. O adulto não "precisa" brincar com a criança. Criança brinca com criança. Criança precisa ver no adulto uma fonte de segurança, exemplo a ser seguido e amorosidade. Mas isso não quer dizer que o adulto nunca vá brincar com a criança. Porque não? Afinal brincar é bom! Mas o que ela quer dizer a meu ver, é que nós adultos temos a responsabilidade de criar um ambiente seguro pra eles brinquem, e possam ser livres, sem que atrapalhemos esse brincar. Estar presente nas brincadeiras é mais frutífero que brincar com eles. A nossa participação só deve entrar em cena se for solicitada por eles.

Enquanto penso nisso, invento possibilidades pra que eles brinquem a vontade. Que subam, que desçam, que caiam, que corram, que inventem. Faço com gosto.
E minha criança fica feliz!


Arquivo Pessoal: O Inicio desta grande viagem.
Maribel aos 12 meses.

Este post faz parte da Blogagem comemorativa da Semana Mundial do Brincar promovido pela Aliança pela Infância, da qual sou membro e organizadora da blogagem.

Nossa blogagem será dia 24 de Maio, sexta feira, se quiser participar, basta enviar um email para barreto.maribel@gmail.com

Entre nessa ciranda!



quinta-feira, 14 de março de 2013

Desfralde Sem Dramas

Catarina se desfraldou sozinha!
2 anos e 5 meses. 

Por escolha optei em não tentar nenhum método de desfralde.
Minha experiência com o Francisco me mostrou que a criança sabe a hora de se desfraldar.
Ele entrou na escola com 1 ano e 7 meses, orientada pela professora iniciei o desfralde. Comprei um peniquinho, aliás a saga para se conseguir um penico simples é algo surreal. O tal penico nunca foi usado em sua finalidade, a não ser para virar carro, servir de brinquedo na hora do banho, entre outras coisas. Eu passava um bom tempo no banheiro cantando musiquinha, esperando e nada. O penico não "surtia" efeito, sentava eu no vaso, fazia cena e nada. Resolvi deixar sem fraldas para ver se o molhado do xixi incomodava e tudo que ganhei foi pilhas de roupas pra lavar.

Na ocasião eu estava grávida da Catarina. Minha falta de paciência, aliada ao cansaço e ao calor carioca, me fizeram desistir.

Eu desisti, porque estava ficando estressada demais com o assunto. Me sentia pressionada pelo social em desfraldar com sucesso meu menino.

Ponderei e levei em consideração tudo o que havia lido sobre o controle do esfincter e sexualidade.

Segui a vida de fraldas, na época só usava descartável, e deixei o tempo dizer. Troquei o penico por um assento redutor, achei mais útil.

Aos 2 anos e 4 meses ele me disse: "não quero mais usar fraldas" Ok!
Apenas o primeiro cocô escapou, depois disso, nunca mais fraldas diurnas!

Não tentei desfraldar  a Catarina. Desde que nos mudamos para nossa roça, ela brinca de fazer xixi e cocô no "mato", tirava a fralda, mas não tinha o controle de nada. Semana passada, ela pediu pra fazer xixi no vaso e não quis mais colocar a fralda. Há 15 dias está sem fralda diurna.
Com ela revesei o uso entre as fraldas descartáveis para dormir ou sair e as de pano para o dia-a-dia. Uma boa escolha inclusive! Adorei a experiência. É simples, embora não pareça. E ela adorava usar, as vezes até chorava porque não queria descartável.
O desfralde dela tem sido um pouquinho diferente. Ainda escapa aqui ou ali, mas faz parte do processo.

O bacana é ver a carinha feliz da criança ao fazer no vaso suas necessidades, ter controle naquilo que produz, na sua arte! Foi uma escolha deles. Na minha opinião, o desfralde foi um sucesso.

Sinceramente acho impositivo demais exigir da criança que se controle em nome do social. As escolas que se preparem para receberem carinhosamente crianças que usam fraldas, independente de suas idades. 

É claro que incentivar, sem pressionar o desfralde é saudável. A criança aprende pelo exemplo. Os daqui levam livros pro banheiro.

Num grupo no facebook que participo, uma das mães lançou a questão do desfralde, os cometários foram variados e ricos. Mas um eu destaco e com a devida autorização da autora,  Ana Cordeiro, transcrevo aqui o que ela resumiu pra nós lá. Achei bem coerente, e dá nome ao que sinto.

"O que eu sei do Freud – bem superficial, hein, gente, que não dá para apresentar a teoria toda aqui – tem a ver com dois pontos básicos:1. Para a criança, cocô é uma produção sua. Eles não sabem que aquilo é um troço nojento, sujo e fedido; ao contrário, é motivo de orgulho a produção de tal coisa. Meu filho por exemplo, até hoje, depois que faz cocô, mete o olhão dentro do vaso e me chama, Todo orgulhoso, pra dizer “mamãe, olha o cocozão que eu fiz!”
2. O segundo ponto é que o ânus é uma zona erógena e a retenção e expulsão das fezes são atos de prazer tanto quanto chupar o dedo ou sugar o mamá da mamãe.

É circunscrito a esses pontos fundamentais que Freud refere a importância do desfralde.
Agora é só ponderar: a criança de fralda pode fazer o cocô a hora que ela bem entende, no seu cantinho, obtendo e exercitando seu prazer muito primitivo, íntimo e pessoal. O desfralde é mudar essa condição completamente! Fazer cocô vai ter lugar, hora, tempo e jeito de fazer. Reparem na brutalidade da coisa. Fora que, muito comumente, a gente vai tratar aquele cocô como algo sujo, que deve ser jogado fora, mandado pra longe pela descarga.
É mais ou menos por aí. Pra gente é a adaptação do filho à vida civilizada, para eles é a renúncia de algo primitivo, natural e, sobretudo, prazeroso.
Mesma coisa com o desmame, só que, no meu entender, mais grave, pois “perder o peito” é perder o “objeto de amor” e perder esse objeto é “deixar de ser o objeto de amor” da mãe.
Ó, não é mole não! As crianças são uma fonte de poder, coragem, força e elaboração das muitas perdas que vão sofrendo. Aí, vai depender da maneira com que cada uma vivencia essas perdas, que as personalidades e neuroses vão sendo formadas pra vida adulta. Todo mundo passa por isso, em maior ou em menor grau: ninguém escapa!"
É isso! um desfralde bacana vai depender do como a mãe encara essa produção "artística" .

Espero sinceramente ter feito um bom desfralde. :)

Imagem: Maribel Barreto: acervo pessoal
em oferta aos meus pequenos e aos muitos pequenos pelo mundo que fazem  "arte".





terça-feira, 25 de setembro de 2012

Dois Anos de Catarina Maria

Dia 22 de Setembro minha pequena Catarina Maria completou dois anos.

Na madrugada do dia 22 eu postei no meu facebook o seguinte cometário:
"Neste momento (01:30hs) eu entrava em Trabalho de Parto. Eu disse: "Não! é alarme falso" - Ele disse: "melhor ligar" - eu disse: Não... 41 semanas.quando vi o tampão, chorei. Disse: liga! nosso bebê vai nascer!Logo mais nossa parteira, companheira de viagem, chegaria e em pouco mais de 3 horas, sem dor, sem laceração, nascia nossa Catarina Maria. Há 2 anos.
Nasceu numa lua cheia, virginiana, veio quando quis, do jeito que quis. Me transformou inteira!
Trouxe consigo a primavera no raiar do dia.
Catarina menina.
Minha Flor de Maracujá."
Encerrei o dia com essa imagem:

















Não entendi na hora, mas fui dormir com algo incomodo.

Repassei a gravidez e a chegada da Catarina. 
Foram momentos difíceis pra mim!
Primeiro, porque não esperava a gravidez. A relação entrou em crise. Não me sentia bonita, nem feliz. Vivia numa profunda irritação, que variava da melancolia à explosão de raiva. 

Não quis saber o sexo do bebê, em nenhuma das gestações. Na primeira, não cheguei a questionar nada. Estava grávida e bastava. 

Na segunda eu sentia calafrios quando passava pela minha cabeça que poderia ser uma menina.
Um dia, durante uma crise emocional, minha parteira perguntou se eu tinha alguma intuição sobre o sexo do bebê. Respondi rápido: "vai ser menino também, não tenho jeito pra meninas. Sou mãe de menino!" e tentei encerrar o assunto. Ela insistiu: -"E, se for menina?" 
Fui tomada por um choro, e pela primeira vez eu consegui falar dos meus medos. 
Eu tinha medo de ser mãe de menina. Não queria!
Não achava justo nascer mulher nesse mundo covarde.
Disse o quanto eu já havia sofrido pelo simples fato de ter nascido mulher. Não queria! 
E não era menina, era menino!
Não tinha nem nome de menina. 
Ela, a parteira, mulher, também despiu um pouco de si e me deu em poucas palavras uma dose de coragem pra ser mãe de uma possível menina. Na verdade ela me deu mais. Me fez ver em mim, a menina que sou.

Eu tinha medo!

Dias depois, ouvi na escola do meu filho alguém chamar ao longe; - "Catarinaaaa", me arrepiei inteira! 
Era como se um raio tivesse caído em mim. Não tive mais nenhuma dúvida de que dentro havia uma menina e se chamaria Catarina. Na minha frente estava o Mauricio, que disse apenas: "Não gosto desse nome. Na verdade, não me  vejo pai de uma Catarina, mas a única pessoa no mundo que pode escolher o nome de um filho é a mãe. Quem sou eu? se você acha que é..." 
Não me saiu mais Catarina da minha cabeça.
Mas eu ainda não me convencia de que seria mãe de uma menina.

41 semanas de gestação de muito medo, incertezas, lágrimas, culpa, dor, solidão.

Entrei em trabalho de parto de madrugada. Por volta das 2 da madruga. Foi um trabalho de parto exatamente como eu sonhei. Rápido, sem dor. Imaginava que o francisco estaria dormindo e que o bebê nasceria e logo após ele acordava. E assim foi. 
Catarina nasceu as 05:37 do dia 22/09. Havia no céu uma lua cheia imensa e intensa.

O processo do parto começou antes, bem antes. Com 38 semanas achava que iria parir a qualquer momento. E não paria. 
Esse "não" parto, me deixava no chão. Qualquer intuição que eu tinha me levava a nenhum lugar. Já falei disso aqui.

Mas o parto da Catarina foi um presente muito especial. Apesar de todo o turbilhão que foi a gestação, eu tive um parto sem dor, sem laceração.

O parto do Francisco foi muito doloroso e eu senti muita raiva por isso, não queria que se repetisse e busquei ajuda. Pratiquei meditação, fiz yoga, dança do ventre, massagens. Dizia pra mim mesma que eu iria conseguir parir sem dor. 

E pari! 
Cada contração que vinha eu respirava, abria, deixava vir. E veio. Veio plena! 
Senti o repuxo do expulsivo.  Em três contrações ela estava nas mãos da parteira. Pouco mais de três horas de parto, e não houve dor.

Eu estava de costa e de cócoras, a Helô me pediu que virasse rápido. Quando ví que era menina, gritei bem alto: "É MENINAAAA!"
A Helô me contou depois que por um segundo quase falou antes, mas conseguiu se conter. Foi muito generoso da parte dela!

O Mauricio, desta vez ficou muito nervoso e mal conseguia participar do parto, mas por incumbência divina, a nossa doula, chegou em casa bem nesse momento, e o ajudou a chegar bem pertinho da porta do quarto. Ele a viu nascer!

Ainda estou me habituando a ser mãe de menina. Ela tem um olhar profundo. Me provoca. Adora me beijar até sufocar. Abraça. Dorme em cima de mim. 
É intensa como a sua lua de seu nascimento. Tenho aprendido muito...

Por ela trouxe flores pra casa e pros cabelos. 

Catarina Maria, minha flor de maracujá!
É uma Menina!




sábado, 15 de setembro de 2012

É Tempo de Flores na Matiqueira


Abacateiro

Alecrim

Amora Silvestre
  

Figo

Laranjeira

Pessegueiro 
Brinco de Princesa



domingo, 2 de setembro de 2012

Feira de Trocas de Brinquedos no III Festival Mundial da Paz, no Ibirapuera SP


Em maio último promovi um evento no MAM/RJ para comemorar a Semana Mundial do Brincar (saiba mais aqui), em parceria com a Aliança pela Infância, da qual sou membro. Neste evento, entre outras coisas, propus uma troca de brinquedos.
Eu não tinha ideia de como seria e as crianças adoraram. Acabou que foram elas que se organizaram para fazerem as trocas. Observei em diversos momentos que os adultos não interferiram. Tudo acontecia de maneira bem espontânea.
Elas trocavam só pelo gosto de trocar um brinquedo que não servia mais, por outro mais interessante. Foram elas que criaram as regras da troca, cuidaram da “barraca”, decidiram a hora de começar e acabar. Tudo sem cerimônias e numa ordem inacreditável. Ninguém saiu de lá triste. Os brinquedos extras ficaram lá dentro do cesto para doação. Detalhe: as crianças não se conheciam. Foi num evento de mais de 400 pessoas.
Mais tarde, pedi a algumas mães que me relatassem a experiência. As crianças disseram em sua maioria, que essas trocas deveriam ter sempre. Uma delas me contou que a filha já havia separado outros brinquedos para a próxima feira de trocas.
Eu tinha ficado preocupada, sobretudo, por ter permitido que a troca fosse “espontânea” demais, porque estava sendo “coordenada” por elas. A resposta das mães foi exatamente o contrário. As crianças gostaram de ter vivido essa experiência de trocar sem nenhum adulto interferindo. Fiquei muito feliz, porque cumpriu a missão do evento, que era propiciar às crianças um brincar livre. E a troca de brinquedos entre os pares se transformou numa grande brincadeira com princípio, meio e fim, muito bem estruturada.
Além de ter sido prazeroso, foi também enriquecedor pra todos. Elas demonstraram ter um profundo conhecimento do valor essencial das coisas. As trocas não foram medidas pelo valor monetário e sim pela necessidade lúdica delas.  E nesse processo de elaborar as trocas, elas também aprenderam (eu prefiro dizer se lembraram) que precisam de pouco para brincar.
O atual modelo de consumo, nos leva a crer que precisamos ter ao invés e ser. E não basta ter uns, tem de ter todos. Ora! Vamos pensar!? Já imaginou ter para cada filho a coleção completa do último lançamento de brinquedo? Além de gastar um bom dinheiro, não teremos espaço para guardar o tal brinquedo que será usado por pouco tempo.
Criança não precisa de muito. Precisa de qualidade. Um brinquedo que inspire confiança é muito mais importante para a sua formação do que os brinquedos que se esfacelam em suas pequenas mãozinhas… Bem, mas isso é assunto par outro post.
Dia 08 de Setembro a Aliança pela Infância, em parceria com o grupo de mães do Infância Livre de Consumismo, estaremos promovendo outra feira de Troca de Brinquedos, desta vez no Ibirapuera em São Paulo, no Festival Internacional da Paz. Esse evento tem por característica ser todo voluntariado. Conheça o Festival aqui.
Vamos fazer uma vivência com outros voluntários ampliando o diálogo sobre Consumismo.
Gostaríamos de convidar as famílias a estarem com a gente, trocando brinquedos e também voluntariando. Precisaremos de uma equipe, não muito grande, mas com vontade de estar lá vendo de perto o sorriso de uma criança na hora de receber um “velho brinquedo novo”. Eu não tenho dúvidas de que será um dia muito rico.
Atenção, os brinquedos deverão estar em bom estado. E as sobras serão doadas para uma instituição parceira da Aliança pela Infância.
Para quem for voluntariar ou mesmo passear, não deixe de levar um brinquedo para troca. É importante! Eu mesma, nesse evento do MAM, cometi a indelicadeza de não levar nenhum brinquedo para o meu filho. Eu estava enlouquecida com a produção, meu marido enlouquecido me dando suporte, também esqueceu. Mais tarde ele me cobrou e não gostou, queria voltar lá, a todo custo, pra trocar um brinquedo. Fiquei com o coração quebrado em mil pedaços. No meu caso valeu o ditado “santo de casa não faz milagres”. Imperdoável!  Aprendi que mesmo na correria, preciso parar uns minutinhos e “ver” meus filhos. Ser mãe é isso! Ainda bem que ele se divertiu muito com outras coisas nesse dia.
A Troca de Brinquedos será no Ibirapuera, próximo à Praça da Paz, no dia 08 de Setembro, sábado das 10h as 12:30h.
Haverá também Contação de Histórias comigo e oficina de tear em tronco de arvores para os pequenos com a Casa Azul Textiles.
Quer voluntariar?
Mande um e-mail para infancialivredeconsumismo@gmail.com para receber maiores informações. Será apenas um dia de trabalho, mas será eterno no coração.
Vamos? Eu vou!
O evento continua: A tarde oficina de brinquedos + Brincadeiras Cantadas e Dançadas com o Instituto Brincante + Jogos cooperativos com Aliança pela Infância, Uniítalo e Federação de Bandeirantes do Brasil
No domingo o evento encerra com o Instituto Brincante. Venham de branco para uma grande ciranda da paz.

Cartaz do Evento:
Compartilhe entre seus amigos. Nosso evento no Facebook está aqui.
Maribel Barreto é membro da Aliança pela Infância e Contadora de Histórias.
* Texto originalmente postado no Blog Infância Livre de Consumismo

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Alho: Só na Quaresma ou no dia de Finados.

Vida  na roça tem suas crendices!

Aqui em Campo Redondo, só se planta alho no primeiro dia da Quaresma ou no dia de Finados. 

Ninguém soube me explicar porque, nem o google.

Vou pesquisar sobre, e volto a contar.

Alguém arrisca um palpite?




Imagem:  http://mtradicionalalternativamsf.blogspot.com.br/2011/01/alho-allium-sativum-livro-o-livro-do.html

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

As Aventuras de uma Mudança pra Roça


Francisco Bento e Catarina Maria, por Maurício José
O sonho era antigo.

Quando o Francisco nasceu, há quatro anos, até cogitamos sair da capital, mas percebemos que ainda não era hora.

Foi nessa ultima páscoa que decidimos vir pro campo.  E em menos de um mês havíamos vendido nosso apartamento em Santa Teresa no Rio, que para nós foi uma confirmação que o momento chegara.

Desde então começamos nossa aventura. Em pouco mais de 3 meses,  encerramos nosso ciclo na capital carioca, ou melhor mudamos a forma de estar no Rio de Janeiro. Porque vamos manter nossos vinculos lá, mas com a opção de estar em terras mais tranquilas. Foram meses intensos, pra mim, ao menos, cada dia parecia uma semana.

A Matiqueira nos escolheu!
Numa busca pela internet, chegamos a um vilarejo chamado Campo Redondo, zona rural de Itamonte em Minas Gerais. Não sei explicar como, mas o Mauricio e eu, encontramos o mesmo anúncio de um sítio na serra da Lapa, próximo a Resende/RJ. A partir daí chegamos no vilarejo.

Aqui em Campo Redondo descobrimos muitas qualidades que tinham a ver com o nosso 
trabalho, como por exemplo, ser uma região de criação de ovelhas e mulheres tecelãs. Conhecemos dois casais que são amigos de muitos amigos em comum, um deles ligados à Antroposofia.
Outro aspecto que nos chamou a atenção foi a caracteristica do lugar. Vilarejo de aproximadamente 300 familias com características preservadas.

Visto de longe o lugar parece um oratório. Nos encantamos!

O sitio que nos trouxe até aqui, tem uma capela de São Jerônimo tombada pelo IPHAN. Na região há muitas cachoeiras, montanhas, araucárias, que para mim são muito simbólicas.

Dia desses ví muitas gralhas azuis na minha janela. Pra quem não sabe a gralha azul, é o passaro semeador das araucárias. Sou da terra das auraucárias, o Paraná. Me sinto em casa aqui.

Os amigos não entederam direito, alguns só acreditaram mesmo quando viram a casa em caixas.
Pra nós era um sonho antigo. E realizar, era só mais um passo. E o passo foi dado.

Muitas vezes me perguntei se era isso mesmo que queria. Senti medo, coragem, calafrio... O processo foi intenso mesmo. E cada vez que batia a dúvida terrível eu me firmava na possibilidade de experienciar algo muito novo.

Não é fácil sair do conhecido e mergulhar num mundo de incertezas.

O Rio de Janeiro é a cidade natal do meu marido, dos meus filhos e pra mim ofereceu oportunidades incríveis. Fiz amigos, realizei bons trabalhos, parcerias muito bacanas com pessoas e instituições. Mas havia chegado ao fim.

Bem, a mudança em si, foi surreal!
Saímos do Rio no domingo dia 29 de Setembro Agosto e só pra ter história pra contar, nosso caminhão, ficou parado na greve dos caminhoneiros na Dutra até a meia noite de terça. Chegou aqui em Campo Redondo na quarta feira. Minha mãe havia ido me ajudar. Eu havia separado um tanto de roupa pra levar na bagagem de mão. Essas roupas não vieram comigo, ficaram na Dutra, minha mãe não sabia e mandou a mala pro caminhão. Detalhe: não coube tudo num único caminhão, parte da mudança veio no outro dia.

Nossos filhos estavam na casa da minha sogra e também nao podiam vir pra cá, por conta da paralisação. Era um misto de tudo ao mesmo tempo agora em mim.

Sem muitas roupas, sem filhos e sem casa.... decidimos aproveitar. Dormimos muito!

Ter a nossa casa “parada” numa estrada no meio do nada é muito estranho. Todo o meu universo particular estava lá na Dutra. Me dava calafrios só de pensar no que poderia acontecer com o nosso caminhão. O nosso motorista foi guerreiro!

Enfim, ainda temos muitas coisas em caixas. Não sairão tão cedo. A nossa aventura está apenas começando, vamos ainda construir nossa casa, fazer nossa horta, reflorestar nossa nascente... Temos muito trabalho pela frente!

Uma amiga me escreveu dizendo ter a sensação de que estamos voltando pra casa, e é isso mesmo! Voltei para casa. Os pessegueiros estão florescendo. O céu tem tanta estrela que mais parecem pisca pisca... Tudo isso me faz lembrar a menina que fui.
Esse é nosso amigo "galopa", nome dado pelo Francisco.
Nossa visita constante.

Estamos muito bem. Já começamos a articular o reinicio de trabalhos do Ocitocina Atelie. Nossos filhos estão mais calmos. Brincam o dia todo no quintal, e finalmente eles têm as roupas sujas.

Tem sido uma aventura cada vez que resolvemos sair pra cidade. Quando não é um pisar no cocô de vaca ou cavalo, é um desses animais que escapam e a gente tem de ir resgatar antes de seguir. Ou então um deles resolve empacar na porteira ou no meio do caminho.

Aqui na roça o dia tem 24 horas e o silêncio é rei!




sábado, 28 de julho de 2012

É Tempo de Mudança!

Foto: Mauricio José - Acervo da Familia




Estamos partindo para Campo Redondo. Zona rural de Itamonte/MG. Vilarejo com pouco mais de 500 pessoas, onde se produz mel, lã de ovelha, queijos, suco de amora.... Tem uma igreja, uma escola, um posto de Saúde onde a enfermeira que cuida das gestantes, é filha da ultima parteira do local...


Ficaremos sem internet, voltarei em breve para dar noticias.


Fiquem com os céus e a terra! 


Abraços.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Lua Mulher, Homem Sol

Pois é! tô sem tempo de atualizar a vida por aqui.
Hoje,  escrevo lá no Mamíferas e falo de mudanças.


E chove desde domingo na cidade maravilhosa...


Deixo vocês com esse linda história ordenada por Francisco Gregório Filho





 Lua Mulher, Homem Sol



“Oh!Lua eu vos agradeço...
Por esse luar criador
Em troca vos ofereço
Essa canção com amor”

A avó adquiria as toalhas grandes e coloridas...
Em casa reunia os netos, pegava na gaveta a caixinha de costura e pedia:
- Vamos, escolham as linhas, enfiem nas agulhas. Escolham também uns pedacinhos de fita... da sua cor predileta, vamos escolham!
Então a avó cortava as grandes toalhas em pequenos retalhos... organizava-os em grupos de cores...
.... costurava, nas beiradinhas, os pedaços de fitas coloridas... a às vezes aplicava também uns pedacinhos de renda...
E com agulhas, com linhas escolhidas pelas crianças, bordava uma lua no centro do retalho. Em cada toalhinha uma fase da lua: nova, minguante, crescente e cheia.
Depois, com ferro de passar morno, amciava essas toalhinas e guardava-as em caixas de sapatos vazias. Arrumava-as agrupadas por cada fase da lua: ... nova, minguante, crescente e cheia.
Os meninos curiosos perguntavam:
-Vó... para que servem essas toalhinhas?
- Um dia vocês saberão... – respondia a avó.
Os meninos especulavam... especulavam, curiosamente.
Um dia, no aniversário da neta mais velha, a vó convocou os demais e convidou-os:
-Vamos presentear... ouviram?   Presentear... pre...sen...tear. Cochichou baixinho em todos os ouvidos. Então, presentearam.
Tempos depois, nova convocação e a avó ordenou que as crianças prestassem atanção...
... No tanque, Marina, a neta mais velha, lavava sua primeira toalhinha...
... a água escorria toldada... rosada.

E a avó, diante das expressões curiosas nos rostos dos netos, comntou uma história:
- A lua tem suas passagens, suas fases... e assim também são as mulheres...
- Todas as meninas fazem essa passagem. De menina para moça. Na preparação do corpo para ação de fecundar. Mas precisa se cuidar... discernimento para escolher o momento. As meninas passam a ser mensalistas... renovam o sangue mensalmente... acompanhando o ciclo da lua.
E disse ainda a vó:
- Os meninos, filhos do sol, não tem essa capacidade... mas precisam ser companheiros, parceiros. As meninas precisam de suas delicadezas.

A avó repetia cerimoniosamente:
- Todas as mulheres borram as toalhinhas. Em todas as culturas... em todos os países, as mulheres borram as toalhinhas na preparação do corpo para a fecundação. As mulheres são mensalistas, acompanham o ciclo da lua nova, crescente, minguante e cheia....
A avó, a moça, os rapazes, as crianças e os adultos da casa festejaram cantando e dançando... a passagem da Marina:

“Oh!Lua eu vos agradeço...
Por esse luar criador
Em troca vos ofereço
Essa canção com amor”

Neste dia a mãe preparou um bolo e confeitou-o de um azul celestial e por cima desenhou uma lua...
O pai chegou da rua trazendo nas mãos um buquê de flores e ofertou-o à nova moça da casa. O buquê, claro, vinha com um cartão escrito assim:
“ Feliz Passagem, Feliz Mulher”


Lua Mulher, Homem Sol é uma história ordenada por Francisco Gregório Filho (contador de histórias Fantástico!), a partir da sua vivencia com sua avó Maria, em Rio Branco no Acre. 
A Canção da lua é Fragmento de um acanção composta por Alfredo Gregório seu primo. 
Esta história está no livro”Ler e Contar Contar e Ler caderno de Histórias", de sua autoria.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Carta Aberta ao Conar {Blogagem Coletiva - Infância Livre do Consumismo}


Duas recentes medidas do Conar referentes aos abusos da publicidade voltada para as crianças nos deixaram preocupados e ainda mais descrentes da atuação deste órgão com relação à proteção da infância.
A primeira foi a decisão de sustar a campanha da Telessena de Páscoa por anunciar para o público infanto-juvenil um produto que só pode ser vendido para maiores de 16 anos (de acordo com regulamentação da SUSEP). A segunda foi a advertência dada pelo Conar à Ambev, com relação ao ovo de páscoa de cerveja da Skol.
Ambas atitudes do Conar seriam dignas de aplausos - se tivessem sido tomadas quando as campanhas publicitárias estavam no ar, na Páscoa, em março. Mas o Conar só agiu em junho, quando as campanhas já não eram mais veiculadas.
Com isso, não houve nenhum impedimento para que a mensagem indevida da Telessena atingisse impunemente milhões de brasileirinhos e que a Ambev promovesse bebida alcoólica através de um produto de forte apelo às crianças. A advertência à Skol é ainda mais ineficaz, pois não impede que no próximo ano, produto semelhante seja oferecido.
O Movimento Infância Livre de Consumismo vê nessas decisões a comprovação de que o atual sistema de autorregulamentação praticado pelo mercado publicitário brasileiro é lento, omisso e ineficiente. Fato ainda mais grave quando se trata da defesa do público infantil.
Por isso, exigimos que a publicidade infantil sofra um controle externo como todas as atividades empresariais. Reiteramos nossa postura de que, sem leis e punição, jamais teremos uma publicidade infantil mais ética.
Nós, mães e pais, exigimos respeito à infância dos nossos filhos e solicitamos que estas duas atuações não constem dos autos do Conar como casos de sucesso. Contabilizar pareceres dados depois que as campanhas saíram do ar, como exemplo da firme atuação do Conar, é propaganda enganosa. E isso contraria o tal Código de Autorregulamentação que os publicitários insistem em tentar nos convencer que funciona.
(Este texto faz parte de uma blogagem coletiva proposta pelo Movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com blogs parceiros. Este movimento é composto por pais e mães que desejam uma regulamentação séria e eficiente da publicidade voltada para crianças. Para saber mais acesse: http://www.infancialivredeconsumismo.com.br)








quarta-feira, 20 de junho de 2012

Ser mulher é ...

Quando engravidei pela primeira vez, não quis saber o sexo do bebê.
Na verdade, não quis saber nem na primeira, nem na segunda gestação.
Na primeira, tanto fazia pra mim. Não tinha expectativas nenhuma.

Nasceu menino e isso me deu um alívio, que só pude perceber na segunda gestação.

Quando engravidei pela segunda vez, entrei em pânico. Não quis saber o sexo, porque tanto fazia se fosse menina ou menino. Nada iria mudar do ponto de vista gestacional.
Mas a idéia de nascer menina, me deixava em parafuso.
E sabe porque? porque acho muito difícil ser mulher.

Aqui em casa por exemplo. Somos um casal bem moderno e o marido daqui, é só um pouco machista, mas bem pouco mesmo. Diria que é uma gota homeopática bem diluída. Aceitável!
Mas ainda escuto coisas que uma feminista mais ferrenha teria vontade de cortar os culhões do pobre.

Esses dias que se passaram, foi um marco para o movimento feminino. Muitas passeatas pelo direito da mulher.
Confesso que fico confusa com tudo isso, pois antes de ser mulher, pertenço à humanidade, à especie humana e partindo desse ponto de vista, não faz sentido isso tudo.

Aqui em casa, eu cuido do lar e das crianças. Sou dona de casa, e muita gente pergunta se trabalho. Claro que trabalho e muito, mas será que essa pergunta merece resposta?

Quando paramos pra analisar toda a história da humanidade e procuramos pelas vozes das mulheres, ficamos perplexos com as atrocidades que se cometem com o gênero. Sem contar o nível de desconexão que vivemos hoje com o feminino.

Voltando aos assuntos domésticos.
Acho natural um homem lavar louça.
O daqui lava. Mas ele é melhor que outros que não lavam ou não fazem nada em casa? Não!
Como diria minha vó: "não faz mais que sua obrigação!"
Porque os afazeres domésticos precisam ser divididos com o marido, pelo simples fato de que o marido mora naquela casa e não na outra.
O fato do marido trabalhar fora o dia inteiro, não tira a obrigação dele ajudar na casa e com os filhos.
Quando a gente casa, a gente junta trapos e sonhos. E no meio de tudo isso estão os filhos e a casa.
Se um faz mais que o outro, tem algo errado!
Não é pelo fato de  que eu fico o dia todo em casa que não estou faço nada.
Trabalho doméstico é exaustivo, porque é repetitivo. Não pára nunca! Um horror!
Dia desses ouvi sem cerimônia da boca do marido, que reclamo disso porque ainda não entendi o papel da mulher.
O quê???? hummmm ...
Ando pensando em leiloar uns culhões.
...
...

Pensando bem, vou deixar a poeira baixar e repensar essa história do leilão, pois isso implica em outras perdas.

Mas abriu pra mim um leque de questões e muita conversa. Aos pouquinhos a gente vai dando o tom da prosa.

Ficar em casa cuidando do lar, no atual contexto da humanidade é muito confuso.
Porque para ficar em casa, abri mão de muitos sonhos e desejos.
Isso pesa no final do dia.
Eu, muitas vezes me pego pensando se fiz a melhor escolha.

Quero dizer que não me sinto nenhum pouco à vontade em escrever sobre esse tema, porque não me sinto feminista. Aliás eu não entendo esse conceito direito.
Mas se for olhar bem a fundo o que quer dizer tudo isso e porque as mulheres vão pras ruas, sou sim muito feminista e é por isso que também vou pras ruas e que milito, mesmo que dosadamente.

Pode ser que nesse texto tenha traços machistas, mas culturalmente não encontro respostas pra muitas das minhas angústias feminina. E sou fruto do meio, por mais que eu me esforce pra ser peixe e saber nadar nessa maré, não consigo ir muito longe.

Por essa e outras razões é que tinha pânico de ter menina.
Porque ela também vai ser mulher num território machista. Porque por mais que eu a ajude a se entender como fêmea, ela vai ser julgada pelo ponto de vista machista.

Adianto que não tenho nenhum problema com o meu feminino.
Ao contrário, apesar de tudo que já passei, sou bem resolvida.
Amo muito estar viva como espécie humana do sexo feminino.

Se vivo esse dilema todo, tendo como companheiro esse cara que acho genial, imagino o que passam outras mulheres em noutros contextos. É barra!

Ontem lí uma notícia que dizia que os direitos da mulher foram moedas de troca no texto da Rio +20 (leia aqui).
Assim caminha a humanidade à passos lentos, modorrentos e embolorados.

sábado, 16 de junho de 2012

Num dia sem eira nem beira. A vida pode ser muito mais!

Domingo passado fomos passear pela vida.
Depois daquele feridão chuvoso e marido viajando, estávamos precisando relaxar.

Fiquei tão feliz com a repercussão do meu depoimento! (leia aqui) Não imaginava. 
Recebi muitos emails com relatos parecidos. Vi que minha experiência é a de muitas. Mais uma vez pude comprovar que a vivência do outro nos ajuda a elaborar as nossas.

Esse assunto era tabu pra mim, ao menos aqui no blog. Tinha medo de expor tamanha ferida e ser julgada. Confesso que, esse medo da exposição só veio depois de virar mãe e ser a mulher do meu marido. Porque meu marido é aquele moço discreto, que tem sempre a fala certa na hora certa. Já eu... bem eu falo pelos cotovelos e só consigo elaborar meus dilemas falando e muito sobre eles.

Esse caso de abuso já é assunto superado em certo aspecto. Tenho uma vida sexual ativa e prazerosa. E tenho boa relação com meu corpo. Fruto de muita terapia.

E meu conselho pra quem tenha vivido esse tipo de trauma é: não tenha medo de buscar ajuda. vale tudo pra superar e ter a vida mais plena.

Eu ainda tateio em alguns pontos no quesito maternidade. Mas depois de ter falado disso aqui, saiu um fardo das minhas costas. 
Essa semana foi muito difícil pra mim, pois estou no momento vivendo um grande dilema. E com tudo o que está se passando, não perdi a cabeça em nenhum momento. Até as crianças estão mais calmas.
Estou muito orgulhosa de mim! 

Parece que renasci. Em parte foram vocês que me ajudaram, pois seus relatos me ajudaram a ver que não estou sozinha nessa. Relatar aqui, me fez me ver.

Tenho refletindo muito sobre o que li. 
Grata! Muito grata pela força de vocês. 
E desejo coragem para vencerem os seus traumas.


E no domingo pós feriado a gente tomou café da manhã na casa de uns amigos e depois fomos andar sem eira, nem beira. Dia meio nublado e tal, procuramos um lugar diferente pra almoçar e nada, mas nada mesmo nos apetecia. Passamos numa pizzaria, compramos uma gigante e rumamos pro Mirante dona Marta. Lá no heliponto comemos nossa pizza  tendo a vista mais impressionante do Rio.

Fiquei admirando essa bela cidade e pensando no quanto fui feliz aqui e do quanto a vida é uma grata surpresa. Eu. Euzinha estava ali almoçando com minha família. Com o homem que amo, e com os filhos que temos juntos. Eu sorria á toa! 

O Francisco logo inventou de rolar numa grama que tinha por lá, e passaram os dois, Catarina e ele, horas rolando ribanceira abaixo gargalhando!

No carro o Francisco perguntou porque eu não quis rolar com eles, nem soube direito o que responder e antes que eu conseguisse, ele mesmo concluiu: você queria rolar com a gente mãe. Amanhã quando a gente voltar você rola, tá? Tá, meu filho.

De fato eu queria rolar com eles e não fui porque meu senso de imagem pública não autorizou. Da próxima vez rolarei ribanceira abaixo, só pra relembrar com é. Só pra ter história pra contar. Só pelo gosto de ver sorrir meus filhos.

Vou. Juro que vou!


sábado, 9 de junho de 2012

Educar sem bater, a outra face....

A lei é clara e necessária.
Bater em criança é crime.

Desde de que a lei da palmada foi criada, tenho visto pelas redes muita gente se levantar a favor da lei. Mas nunca consegui escrever sobre esse assunto aqui. O assunto é polêmico, e necessário.

Eu sou a favor! E mais, luto contra os meus próprios fantasmas.

Sempre me imaginei mãe amorosa e cuidadosa. Pensava que jamais iri bater em filho meu.
Me enganei!
E sofro muito com isso.

Os piores anos da minha vida foram da infância até a adolescência. Vivi muitas formas de violência física, verbal, moral e até sexual. Na fase adulta não conseguia me desvincular de namorados machistas e violentos e isso me causava horror. Procurei ajuda em terapias, aconselhamentos, grupos de apoio, espiritualidade e tudo que se possa imaginar. E foi numa sessão de terapia aos quase 30 anos que descobri que eu havia sido estuprada aos 18, e foi noutra sessão de terapia que me lembrei que aos 8 meu pai também abusou de mim.
Minha mãe bebia e me jogava contra  a parede gritando coisas horríveis, eu era o bode expiatório dos meus pais e mais tarde do meu padrasto. Vizinhos e familiares viam tudo isso e não faziam nada. Criança, andava pelas ruas a noite sozinha, as vezes machucada, com medo de voltar pra casa.

Já tive muita raiva dessas pessoas. Hoje eu as compreendo!

Meu pai, perdeu a mãe ao nascer, homem bruto, analfabeto.
Não sei muito mais que isso sobre ele.

Já minha mãe, filha mais velha de muitos irmãos, teve vida muito difícil.
Meus avós eram estrangeiros. A família da minha avó foi expulsa da Ucrania/Russia pelos alemães. No Brasil perdeu sua mãe, e seu pai a doou pra  um senhor de terra que a vendeu pro meu avó, alemão. Tiveram oito filhos vivos. Meu avó batia em todos eles.
Minha mãe fugiu de casa aos 13 pra viver.
Com meu padrasto não foi muito diferente.

Hoje eu compreendo minha família!
Como é que eles poderiam ser diferentes comigo?
O que me distancia disso é que comecei cedo meu processo de busca.
Mas, não entendo como as pessoas conseguiam ficar caladas?
Poucas delas me defendiam, e também não iam muito além de me oferecerem um copo dágua.

Eu também sai de casa aos 17 pra viver.
Foi minha última surra. Quando voltei aos 25 meu padrasto tentou me bater e eu chamei a policia. Abri um processo e ele teve de pagar durante uma ano, uma cesta básica por mês pra uma família carente. Nunca mais falamos sobre o assunto, mas tudo mudou depois disso.
A ponto de ele pagar parte do meu primeiro parto domiciliar.
Acho isso simbólico. Libertador!

Eu sou uma mãe amorosa e cuidadosa, mas com pavio curto.
Não espanco meus filhos, mas perco fácil a paciência e grito, outra forma de violência.
Já bati, não tanto quanto eu apanhei. Mas o suficiente pra me colocar no lugar de alerta.
Todo dia trabalho duro pra minha sombra não escurecer a infância dos meus filhos. Tenho conseguido bons resultados.

É tema recorrente de terapia. Eu tenho consciência do problema, e isso me coloca num lugar privilegiado. Não estou ás escuras repetindo um padrão. Estou alumiando!

Agora eu pergunto: como é que essa lei pretende apoiar os pais que já foram violentados? Até agora eu não vi nada sobre isso.
Já pesquisei sobre grupos de apoio a pais e mães que foram crianças violentadas e só encontrei em Portugal. Se houver no Brasil grupos assim, por favor me avisem, me interessa. Acho que meu relato pode ajudar outras famílias.

A lei é necessária. Quando lembro que o ECA tem pouco mais de 18 anos, penso que teria sido diferente minha vida se ele fosse mais antigo. Talvez alguém tivesse tido a coragem de denunciar.

A violência contra a criança e a mulher no nosso país é corriqueira, temos ainda muito o que caminhar e lutar. Temos que desenvolver muita compaixão pra poder ensinar aos brutos que violência gera violência.
Arquivo Pessoal.
Eu, minha irmã e minha mãe. Carnaval 1985.

Hoje, eu tenho boa relação com minha mãe. Ter me tornado mãe, me aproximou muito dela. Reconheço suas feridas e deixo claro isso pra ela.

As vezes ela me dá "conselhos" que caio dura pra traz. Respiro fundo e falo  com o coração aberto o quanto sofri e que busco outro caminho pros meus filhos.
Dá trabalho! Mas esta valendo a pena.
Dia desses ela me falou que admira muito o meu jeito. Ganhei um bolão!

Com as crianças, deixo claro que estou aprendendo, e que estamos juntos. Agradeço a eles a oportunidade de ser cada dia melhor. O diálogo é o melhor caminho.

E com você? É difícil falar de violência?

Outros Posts do Blog

Related Posts with Thumbnails

Assuntos que se Fala por Aqui

Canções (13) Maternidade (11) Blogagem Coletiva (10) Francisco Bento (9) Amamentação (7) o brincar (7) Parto (6) Gestação (5) MissCup (5) Mistério (5) Notícias (5) Escolhas (4) Eventos (4) Heloisa Lessa (4) Sagrado Feminino (4) Sorteio (4) na radiola (4) Catarina Maria (3) Crises na Maternagem (3) Mamaço Virtual (3) Roda de Mães (3) Aliança Pela Infancia (2) Aprendendo a Falar (2) Brinquedos Feitos à Mão (2) Carregadores de Bebê (2) Clube da Mafalda (2) Coletor Menstrual (2) Manifesto Pela Amamentação (2) Mauricio José (2) Mudanças (2) Parteiras (2) Passeios (2) Sustentabilidade (2) Vida na Roça (2) A Arvore Jardim Waldorf (1) Acolhimento do Bebê (1) Adeus ao Blogger (1) Alimentação Infantil (1) Alimentação de Bebês (1) Argumentação Infantil (1) Birras (1) Bola Fora de Mãe (1) Bom Dia (1) Brinquedos e Consumo (1) Canção (1) Carinho de Filho (1) Carta Aberta (1) Contação de Histórias (1) Conto Sufi (1) Croc (1) Crônicas (1) Dentes Quebrados (1) Dia das Avós (1) Dia das Mães (1) Dia dos Pais (1) Dia dos Santos Reis (1) Doe Sangue (1) Ecologia do Parto e Nascimento (1) Eduardo Galeano (1) Elis Regina (1) Elisa Lucinda (1) Escola (1) Exaustão (1) Excesso de Peso (1) Febre de Mãe (1) Feira Livre (1) Feliz 2012 (1) Feliz Ano Novo (1) Feliz Natal (1) Fernando Pessoa (1) Francisco Gregório Filho (1) Gisele Bünchen (1) Honrar a Criança (1) Infância Livre de Consumismo (1) Ir ao banheiro (1) Leite Materno Contaminado (1) Lombar (1) Mamaço Nacional (1) Mercado de Trabalho (1) Michel Odent (1) Nina Veiga (1) Ninando (1) Ocitocina Atelie (1) Oficina de Boneca Waldorf (1) Praças (1) Preguiça (1) Processo (1) Receitas (1) Relato de Parto (1) Resultado Sorteio (1) SOS Região Serrana RJ (1) Sapatos (1) Segurança no andar (1) Selinhos (1) Shantala (1) Tempo para Comer (1) Troca de Brinquedos (1) Ultrassonografia (1) Volta ao Trabalho (1) Vídeos (1) na moviola (1)

Gente Boa de Papo